• Vera Regina Meinhard

Quais crenças limitam sua escuta?


Trabalho constantemente para permanecer presente na escuta do outro. Quanto mais eu avanço nas vivências internas dos temas que tenho o privilégio de estudar, mais fico feliz com o potencial de desenvolvimento. No que diz respeito à escuta, acredito e levo em conta que a fala de cada um vem de um lugar diferente e que a habilidade de escuta está intimamente ligada com a capacidade que eu tenho em sentir e lidar com o que o outro está trazendo na sua fala.

Recentemente me deparei com uma situação na qual percebi que me era insuportável escutar a fala de uma amiga. Eu precisava sempre cortar a fala dela utilizando simpatia e nenhuma empatia. Eu vinha com aquelas falas típicas “ok, mas pensa que por outro lado isso é muito bom para você, vai resolver as questões x e y”. E ela simplesmente querendo que sua dor fosse ouvida.

A minha sensação de rigidez física era tão insuportável diante desta situação que me levou a estudar mais profundamente a questão. Resolvi fazer o que meu orientador me pediu durante minha pesquisa de mestrado “entre em contado com seu objeto de pesquisa”. Precisava começar me escutando na relação para entender o que me impedia de escutar minha amiga e entrar em contato com a dor dela.

O que estava acontecendo com minha destreza para escutar com meu coração presente na relação?

Descobri que tinha uma crença limitante oriunda da minha educação, dos exemplos de mulheres fortes que tive na minha família e dos caminhos que percorri para realizar meus sonhos.

Sim sou um SER humano forte e isso não significa que posso e muito menos que quero ter ou ser a solução para as questões de todos.

Aprendi que quando fico com meu corpo tenso, querendo sair de uma conversa é porque meus sentidos estão saindo de cena e o rótulo da mulher que precisa ter uma resposta para a dor da amiga rouba a cena. Isso me leva para longe da escuta. Quando volto para mim e me aceito como um ser tão vulnerável quanto o que está diante de mim, saio do rótulo, somente escuto com empatia e dou o que tenho de melhor, meu amor, sem me preocupar se resolvi a vida da pessoa.

Essa descoberta foi libertadora e uma alavanca muito poderosa para desenvolver minha capacidade de escutar o que realmente acontece com a outra pessoa, me desapeguei da crença na qual tenho obrigação de resultado e devo encontrar a solução com a pessoa.

Talvez alguém se pergunte o que me leva a querer desenvolver uma escuta tão afinada. Não vou deixar você curiosx, é a diversidade. Para desenvolver meu propósito de liberar a voz de todxs por meio da democratização do conhecimento e do autoconhecimento preciso ligar isso com a necessidade do outro.

Eu acredito que existe algo mais profundo a ser trabalhado com cada pessoa e quero poder entender isso e agir com elas no sentido de suprir suas necessidades como um ser humano que possa olhar para o mundo sem precisar inferiorizar os outros para se sentir bem, se sentir importante e amado.

Se eu cair na armadilha da obviedade, como é que vou ser a mudança que quero ver no mundo?

#artigo

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