• Vera Regina Meinhard & Mariana Mouret

Onde estão as Gênias?


Quando dizemos GÊNIO, você pensa em quem? Homem ou mulher?

Se você pensou em um homem,

saiba que a maior parte das pessoas que questionamos

também pensaram. Inclusive as mulheres.

Fizemos uma pesquisa no Google para verificar a resposta. Adivinhem?

  • Nas duas primeiras páginas aparecem apenas homens. As duas primeiras mulheres aparecem somente na terceira página. A primeira é de uma publicidade de empresa contábil e, a segunda, uma notícia sobre uma atriz que vai interpretar uma cientista em uma novela.

Imagina o impacto que isso tem no desenvolvimento das crianças!

Como diz a atriz americana Geena Davis, quando não vejo meu gênero biológico associado com certos modelos de seres humanos, nem imagino que este espaço também pode me pertencer. Ou ainda, quando me associam sistematicamente com modelos com os quais sinto pouca ou nenhuma identificação, fica difícil acreditar no meu direito de ser quem eu quiser.

No caso das mulheres, como a história contada mostra muito mais homens gênios, como por exemplo, Einstein, Da Vinci, Newton, Beethoven, Hawking, Steve Jobs, fica difícil as meninas crescerem imaginando que podem ocupar este lugar de genialidade.

A questão é sistêmica e, portanto, complexa. Precisamos olhar para a construção social em torno do lugar atribuído aos homem e às mulheres e para os paradigmas associados e construídos ao longo de séculos. Que tal começarmos a provocar estes desafios sistêmicos que colocam a mulher no papel de cuidadora do lar e da família e o homem como guardião da inteligência e provedor?

Comecemos por contar mais histórias sobre nossos gênios mulheres. Dizemos gênio sim, no masculino. Você já ouviu falar de gênias? Pesquisamos no Google e, adivinha o que visualizamos? Pois é, desenhos com meninas fantasiadas de odaliscas. Lembra da série Jeannie é um gênio? Percebeu que o nome da série a definia como gênio ao invés de gênia? E relaciona a genialidade da mulher ao exotérico e aos padrões de beleza?

Quando lembramos que as descobertas sobre a elasticidade do cérebro são recentes, nos chama a atenção o impacto que esta associação entre a genialidade intelectual e o sexo masculino pode ter no desenvolvimento das meninas.

Esta revolução sobre a capacidade de aprendizado de nosso cérebro data de menos de 20 anos. Até então, imaginava-se que nosso cérebro era como um computador com circuitos fixos. Assim, a genialidade era atribuída no nascimento. Tínhamos ou não o QI correspondente. Hoje a ciência prova que o cérebro se reinventa, cria novos neurônios, novas conexões e novas funções para áreas pouco utilizadas. Precisamos divulgar mais esta informação.

Por ser uma informação recente, muitas pessoas continuam acreditando que nascemos com nosso potencial fixo, ao invés de desenvolvermos boa parte dele pelo esforço do aprendizado. E se acreditam que somente homens nascem com este dom, impossível mulheres se tornarem gênios!

Para você se descolar desta crença que considera gênios associados ao sexo biológico homem, convidamos você a ler o livro Mindset da Carol Deweck, uma maneira brilhante de expor o assunto. Além de despertar nossa prática em considerar erros como uma etapa do aprendizado, no que diz respeito às mulheres, nos reconecta com o percurso de guerreira para existir lá onde não nos esperam.

Aprender tem tudo a ver com o esforço dedicado na aquisição de conhecimento e experiência.

Agora imagine se adicionamos as questões raciais e de orientação sexual? Mulheres gênios negras e homossexuais? A identidade delas fica ainda mais suprimida. Somente vimos negras sendo exaltadas pela primeira vez no filme Estrelas além do tempo. As lésbicas estão bem escondidas, ainda se sentem em perigo diante de tanto preconceito violento e poucas se declaram. Temos poucos meios de saber. Agradecemos publicações como The L Life, Extraordinay Lesbians Making a Difference, de Erin McHugh que tem começado a celebrar os sucessos de mulheres homossexuais que enfrentaram o preconceito e se tornaram ícones culturais ou verdadeiras heroínas em seus campos de atuação.

Quer fazer parte da mudança da imagem que as mulheres tem delas mesmas?

Assista todos os filmes sobre mulheres que podem ser consideradas

tão geniais quanto os homens mencionados acima:

Estrelas além do tempo, Marie Curie,

AGORA (Hipátia, a astrônoma, filosofa, poetisa),

Frida, Malala, Nise da Silveira, AMELIA,

Camille Claudel, Eleanor Roosevelt, Coco Chanel,

Suprema (Ruth Bader Ginsburg,

primeira mulher a fazer parte da Suprema Corte Americana) entre tantas outras.

Pesquise mais filmes, livros, artigos e compartilhe!

Participe do desenvolvimento da cultura que enfatiza o aprendizado ao invés dos gênios.

Seja atrevid@ para contar todas as histórias de mulheres que de alguma forma mudaram o mundo para melhor!

Contribua para que as meninas de hoje possam escolher sem medo qualquer caminho profissional! E serem as mulheres que querem ser! Que elas tenham cada vez mais visibilidade sobre o fato de poderem ocupar qualquer lugar neste planeta!

Marina Mouret e Vera Regina Meinhard

Post originalmente publicado em 15/04/2019 em https://www.linkedin.com/pulse/onde-est%C3%A3o-g%C3%AAnias-vera-regina-meinhard/

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