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Indivíduos e Entidades – um olhar para o planeta direto da COP21

December 12, 2015

 

Nos primeiros dias da COP21 (Conferência das Partes em Paris) me deixei levar pelos sonhos. Tudo muito bem organizado, muita segurança e sem nenhum stress. Os policiais, tanto fora como dentro dos pavilhões, transmitiam proteção. As pessoas todas ligadas no planeta. A grandiosidade do evento e, sobretudo a diversidade de pessoas me embarcou! O Parque de Exposições do Bourget estava repleto de pessoas diferentes com cores, idiomas e tipos étnicos riquíssimos, uma felicidade olhar para toda aquela gente junta com o firme propósito de negociar em prol do planeta. Tantas diferenças para acertar: culturas diferentes e momentos econômicos diferentes gerando necessidades variadas e diversas. Estava ao lado de pessoas responsáveis pela negociação do bem estar das gerações atuais e futuras. Quanta responsabilidade respirando o mesmo ar!

O que mais me encantou foi o Espaço Geração Clima construído em função da iniciativa da sociedade civil. Neste espaço senti de maneira forte o engajamento individual com a luta pela qualidade de vida atual e futura! Sai com o peito repleto de felicidade e confiança.

 

Decidi visitar no Grands Palais em Paris a exposição Soluções COP21 realizada pelas empresas. Minha visita resultou num estado de revolta calma, aquela revolta que me permite tomar distância para apreciar a situação, entender as diferentes perspectivas e refletir sobre certas atitudes que pude constatar.  O que eu constatei no Grands Palais foi a apresentação, no caso da maioria das empresas presentes, de soluções chamadas greenwashing (maquiar de ecologicamente correto). Por exemplo, uma empresa farmacêutica se auto-apreciando pelo fato de estar fazendo uma vacina para a dengue! Esse é o papel dela! Uma empresa de bebidas gasosas muito orgulhosa de poder reciclar as suas embalagens. Uma empresa de correios se achando maravilhosa porque inventou uma maquina para depositar as entregas com menos viagens de carro (redução de carbono pequena, mas a redução de postos de condutores com certeza importante). Nenhuma das grandes empresas apresentou algo diferente do que já faz ou devia fazer. E quando eu as interrogava me perguntavam se eu era jornalista.

Comecei a olhar em volta e percebi as manifestações que não aconteciam pelo estado de urgência vivido na França apos os atentados. Os manifestantes tentaram por várias vias alertarem os presentes sobre o lobbying que estas mesmas empresas estavam fazendo para que os governos relaxassem as normas para a proteção do planeta. Os jornais franceses faziam críticas severas contra as empresas e as atitudes dos governos. O que me chamou a atenção foi a presença desta entidade EMPRESA como responsável pelo grande mal. E a outra malvada o GOVERNO. Achei que ficava difícil entender de quem estavam falando, pois não conseguia ver a face destas entidades. Não conseguia saber com quem poderia falar para perguntar porque agia assim. E neste momento a palavra integridade surgiu forte em meu coração.

Para que possamos cobrar uma atitude responsável de alguém precisamos ter pessoas diante de nós. Precisamos começar a falar de pessoas e não de empresas ou governos. As empresas e os governos não decidem nada. Quem decide são as pessoas que trabalham nestas entidades. É você, sou eu, é cada um de nós dentro do nosso perímetro. A palavra que veio ao meu coração foi integridade. Vale ressaltar que neste caso meu coração estava pensando no ser humano íntegro, aquele que não se vende por situações momentâneas, infringindo seus valores pessoais, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente.

Precisamos despertar cada pessoa para que sinta a responsabilidade e o impacto do seu trabalho no quotidiano e entenda como suas ações e decisões estão influenciando o planeta, a vida. Ficar culpando entidades não traz muito resultado, responsabilizar pessoas pode criar o despertar. Muitos estão tão adormecidos que são capazes de lutar na esfera doméstica pela redução da emissão de carbono adotando hábitos saudáveis no que diz respeito aos meios de transporte que utilizam e ao mesmo tempo trabalhar numa empresa que não respeita nem mesmo as leis e regras ambientais.

Finalmente fazendo o balanço entre a atitude dos indivíduos conscientes e a sonolência de quem ainda não entendeu que faz parte do mesmo planeta e segue acreditando que não será atingido pelas mudanças climáticas, eu sigo com a esperança de quem está lutando e acreditando que nossa contribuição para transformar nosso planeta num mundo melhor e mais justo para cada um de nós é importante e vale a pena!

E você? Quer ser vítima das entidades, se esconder atrás delas? Ou quer acordar e se tornar protagonista da transformação? 

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