Contato | Contact

Brazil

+ 55 (41) 99125 9797

France

+ 33 (0) 6 26 69 25 23

Conecte-se | Connectez-vous
  • White LinkedIn Icon
  • White Facebook Icon
  • White Google+ Icon

Prepare seu voo

September 13, 2016

 

Escuto muitos jovens falando das angustias que vivem na fase pós ensino superior. Muitos abrem os olhos e se deparam com uma realidade na qual as expectativas com respeito ao mercado de trabalho não correspondem ao imaginado. Muitas vezes as frustações se encontram ligadas, entre outros fatores, às questões de valores éticos, à ilusão de que sairiam da faculdade para assumir imediatamente cargos de responsabilidade ou à confrontação com líderes que não sabem nem de perto o que é liderar.

 

A tudo isso podemos adicionar a adrenalina com que deixam o ensino superior. Após tantos anos de esforços entram no mundo do trabalho com a ilusão de estarem prontos para enfim abraçar o mundo e aproveitar a vida. Infelizmente, nem o ensino médio, nem o superior preparam os jovens para entender que é agora que a batalha começa. Faz parte do amadurecimento e da liberdade de ser adulto a responsabilidade de cuidar de si e, isso inclui a capacidade de pagar as contas. Tudo isso toma uma dimensão ainda mais relevante quando o jovem não se sente na sua rota, quando sente que não está fazendo parte de algo importante, que não encontra um trabalho no qual tenha prazer ao realizá-lo. No entanto, aqueles que sentem a pressão da responsabilidade, sabem que precisam trabalhar para ser independente e se veem diante de uma equação para a qual não acham tão facilmente a solução. Acabam, muitas vezes, se deprimindo, achando que o mundo não é tão legal assim, que o sonho acabou.

 

Tenho voltado no tempo para retomar contato com meus anseios e preocupações desta época para poder entender o que se passa e contribuir com o voo destes potencias que buscam suas pistas para o “take off”. Esta reflexão me fez brotar no coração a imagem de uma linda jovem, hoje mulher, cuja trajetória admiro muito. Tive a oportunidade de reencontrá-la recentemente e a conversa que tivemos trouxe algumas luzes que quero compartilhar.

 

O que mais admiro nesta trajetória é o tempo que ela se deu para buscar sua vocação. Ela não se intimidou quando aos 25 anos se encontrou diante daquela sensação de vazio após cumprir tão bem o papel que todos esperavam dela: formou-se em psicologia e encontrou um belo cargo numa bela empresa. Evidente, tudo isso correspondia ao paradigma no qual a colocaram e não aos seus anseios. O vazio estava relacionado com a falta de satisfação, com a ausência daquela sensação de contribuir com algo e de não pertencer aquele grupo profissional do mundo corporativo. Claro, numa situação destas ficamos vulneráveis e na primeira crise somos a bola da vez nas ondas de demissão.  Foi demitida e para completar o ciclo, veio a ruptura amorosa. É quase sempre assim. Tudo acontece ao mesmo tempo.

 

Quando o desespero bate, a tendência é sair correndo para achar outro emprego sem questionar o paradigma no qual nos enfiamos. Ela não fez isso. Arrumou as malas e foi para o outro lado do mundo descobrir o que os cangurus poderiam dizer para ela. Despiu-se das regras do paradigma e resolveu trabalhar utilizando seus recursos artísticos e estudar para desenvolver suas habilidades na língua inglesa. Abriu mão de querer uma carreira convencional, como todos esperavam dela e simplesmente abraçou a fase adulta e trabalhou para se sustentar. Abriu mão do olhar e da expectativa dos outros e se deu tempo para olhar para ela. É verdade que ela tem um talento natural para línguas, o que já era um sinal desta escuta ativa. Após um ano, arrumou as malas, passou pelo Brasil, matou as saudades da família e voou novamente. Desta vez com tudo organizado para visitar a rainha da Inglaterra e fazer um mestrado.  Para completar, fez mais um diploma relacionado a língua inglesa que permite hoje ter uma certificação muito importante na área de ensino.

 

Mais uns anos se passaram e ela voltou para o Brasil com 30 anos. Aberta para viver serviu–se da sua determinação para avançar e da flexibilidade da dança para ler os sinais. Soube seguir o fluxo proposto e influenciar a direção. Tomou o tempo necessário para descobrir quem ela é verdadeiramente, qual é sua ambição e qual causa quer servir. Como diz Emmanuel Faber (Diretor Geral do Grupo Danone) em seu discurso na graduação dos HEC em Junho 2016, ela descobriu a melodia que a embala, que é única e que permite deixar seu legado para o mundo.

 

Ela é a melhor professora de inglês que conheço, ela é capaz de ler seus alunos, entender seus modelos de pensamento e propor aulas nas quais a gente aprende. Ela teve que superar muita pressão externa, pois muitos viam isso como um abandono de um diploma importante de psicologia.  Como você pode deixar de ser psicóloga para ser uma “simples” professora de inglês? Até hoje tem quem questione. A psicologia é um dos aprendizados que faz dela essa excelente professora! Pasmem, como exerce sua vocação com amor ela ganha muito bem a vida! Melhor do que uma grande parte das psicólogas.

 

Para conseguir encontrar esta vocação é preciso escutar a voz interna e nem sempre ela é tão clara, tão explicita. É preciso se dar tempo, aceitar de ser olhado como um fracassado diante do paradigma alheio, deixar de lado o olhar externo e acreditar em você.

 

Seja livre. Esta angústia dos 25 aos 30 anos me parece saudável. Esse é um dos momentos no qual buscamos ou questionamos nossa essência. Hoje, vendem para os jovens que aos 30 eles devem estar com a carreira definida e bem sucedida. Acreditem, vale mais viver a crise dos 25 do que uma crise geral aos quarenta! Na ansiedade de cumprir padrões impostos, muitos investem sem escutar o coração, viram máquinas de realizar paradigmas alheios. Mas uma hora a coisa pega. A busca de si mesmo sempre chega.

Aproveite esta fase e prepare-se para as próximas. Somos seres em movimento contínuo e com muitos talentos e anseios que podem contribuir com a construção de um mundo melhor para todos.  Que tal aliar seu coração às suas realizações?

Please reload